Sexta-feira, 26.11.10

Não me deixes ter frio

Eu sei, sei que és tu. Bem lá no fundo, na parte em que tudo sinto, eu percebo-o. De repente, pintas uma paisagem no meu quadro, apenas duas pessoas de mão dada a correr sob a relva, respirando o leve vento que inclina as árvores, olhando para as borboletas que por ali passam.

O frio instala-se no meu corpo, a insegurança voa nas minhas mãos, esperando que a sopres para longe. Tocas-me, dás-me um beijo suave e sentido, sorris, conquistas-me e vais-te embora. Dou-te uma folha de papel e um lápis, observas-me e desenhas, com entusiasmo, os nossos corações. Abraças-me, sentes-me e apagas o frio que há em mim. Então, eu seguro a tua mão e coloco-a no meu peito, no meu pensamento, e é aí que ouves o teu nome.

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Quinta-feira, 25.11.10

Será que tens a chave para abrir aquela porta?

Escuto, com atenção, o teu silêncio. Mergulho nas palavras doces que me contas, fascino-me com a tua beleza, com o teu brilho. Vejo-me no teu olhar, ouço o meu nome nos teus pensamentos, erradamente talvez.

Pergunto ao meu coração se está a ver isto, diz-me imediatamente que sim. Aí, suspiro, respiro fundo e continuo a andar, com o medo sempre presente. Escondo-me dele, tento enfrentá-lo mas rapidamente me encontra, calo-o ao mesmo tempo que ele me cala. Subo as escadas com cuidado, vejo-te, olho-te e pergunto-te se tens a chave para abrir aquela porta. Nesse momento sorrio e choro, pego-te na mão e levo-te comigo, ou vou embora sozinho.

 

Deito-me, adormeço e alguém me diz: "Se amas alguém, deixa-o ir livre. Se ele voltar, é teu; se não, nunca o foi". Depois, apenas respondo: "Eu deixo!"

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Domingo, 21.11.10

Uma nuvem passou por nós

Depois de todas aquelas emoções, volto à realidade. Sinto-me estranhamente culpado, eu lutei, mas não devia ter lutado. A insegurança aperta-me com toda a força, o medo de falhar instala-se no meu corpo, o meu coração confirma a minha derrota. Digo-lhe que existe a possibilidade de aprender e ele responde-me que não posso combater o inevitável. Tento proteger-me, tento encontrar algum lugar seguro para não voltar a ser atingido pelo olhar, pois o teu puxa o meu e a tristeza chama, inocentemente, pelas lágrimas que tentam ficar.

Um erro que sempre cometi, fingir que não entendo, enganar-me frequentemente com ilusões perigosas. Mentalizo-me e esqueço rapidamente que tu não existes, apago-te e volto a desenhar-te vezes sem conta.

 

Viro a página e surgem outras palavras, reparo no brilho que as frases me transmitem, mágicas, a chamar pelo meu nome. Olho para o céu e, nesse momento, pára de chover. A nuvem cinzenta e carregada foi-se embora, a luz bate-me no rosto e espera pelo meu sorriso.

 

"Existem algumas derrotas mais triunfantes que vitórias."
( Michel de Montaigne )
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Sábado, 20.11.10

Esconde-te atrás dessa árvore encantadora

 

 

É de manhã, o despertador toca para mim uma música do John Mayer. Acordo e volto a dormir, esperando, inconscientemente, pela voz da minha mãe (melhor do que qualquer música). Levanto-me e acordo a pessoa mais importante da minha vida, o meu irmão. Sou invadido pelos frequentes pensamentos, pela vontade de olhar, pelo medo de falhar com alguém.

No teu pensar, eu mudo todos os dias. Por vezes sou encantador, por vezes nem nasci ainda. Tu és o que eu não quero ser, mas os teus olhos fazem brilhar os meus, é por isso que me mantenho de pé, mesmo quando me mandas para o chão sem o saber. Lembro-me de ter tocado nas tuas mãos, lembro o teu sorriso e estou certo que tu não, é isso que nos difere, os sentimentos e a forma de os mostrar. As palavras não são tudo, às vezes criam ilusões, outras vezes dizem a verdade, e por isso digo:

"Vejo quem sou numa folha tua, leio as palavras que escreveste com a alma. Fecho os olhos e imagino como seria um mundo feito de letras, procurando o coração no meio delas."

Passamos tanto tempo no vazio, deixamos de aparecer tantas vezes, fugimos tão repentinamente que não nos lembramos, há sempre uma árvore para subir, ou para nos esconder.

sinto-me:
publicado por escreve-me às 22:32 | link do post | Escrevo-lhe | O que me escreveram (4) | partilhar

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